Cresci em uma família católica. Aos dez anos, fui apresentada ao espiritismo kardecista — e ali encontrei as primeiras chaves para entender o invisível: a ideia de que o que vemos não é tudo o que existe.
Caminhei pela Umbanda. Frequentei a Igreja Evangélica. Cada passagem foi um livro aberto, um pedaço de espelho. Aprendi cedo que Deus não cabia em uma única forma — e que minha busca era por algo mais íntimo, mais antigo.
Deus não cabe em uma religião — cabe em um caminho.
Em 2017, atendi ao chamado da alma e me fiz terapeuta. Vieram a hipnose terapêutica — que me ensinou sobre traumas, medos e ressignificação. Veio a Constelação Sistêmica — que abriu meus olhos para a ancestralidade e o pertencimento. Vieram a regressão e o ThetaHealing.
Mas a face mística não ficou de fora. Comecei muito cedo nas canalizações, ao lado do meu mentor Lucas. Mergulhei no grupo de apometria. Ali me descobri como canal, como médium de passagem — e entendi que estudar é também atravessar.
Em 2018, encontrei no Baralho Cigano um amor antigo. Mergulhei nos conhecimentos dos povos originários, no xamanismo, em tudo que ressoava na pele como memória — e percebi que era ponte entre mundos.
Não era prever o futuro. Era ler o que o presente já sabe e a mente ainda não permite enxergar. As cartas eram espelhos — não vidros que mostram o que virá, mas superfícies que devolvem quem você é agora.
Por isso o que se diz na Tsara: as cartas preservam o seu livre arbítrio.
No meu caminho cigano, fui acolhida por uma mestra: Carmem Romani, em São Paulo, herdeira de uma linhagem ancestral. Foi com ela que aprofundei o sacerdócio, os rituais, os métodos de tiragem, a relação com as cartas.
Ao concluir essa primeira etapa — depois de dois anos de mergulho — recebi o título de Shuvanni, palavra cigana para "aquela que leva a palavra e o conhecimento".
Não é honraria. É responsabilidade. Hoje carrego essa palavra na boca e essa responsabilidade na conduta. É com ela que me apresento à minha gente.
Ao concluir minha primeira etapa no sacerdócio cigano, reconheci a Mestra que viria a guiar minha prática. Não fui eu quem escolheu — foi ela quem me alcançou. Madalena — cigana ancestral guardiã da sexualidade sagrada, da energia da criação e dos vínculos dos relacionamentos.
Madalena é minha regente espiritual — a Mestra cujos princípios guiam minha prática e cujos valores carrego. É ela que dá nome à casa.
Não foi escolha. Foi reconhecimento — quando o nome chegou, ela já estava ali.
Em 2022, fundei a Tsara de Madalena — uma casa espiritual de xamanismo cigano. Tsara, no idioma cigano, é a tenda. A casa móvel onde a família se reúne, descansa, cura, celebra. A nossa Tsara é exatamente isso: o lugar onde mulheres que ouviram um chamado interior se encontram para se reconhecer.
A missão é simples e precisa: acolher quem deseja se reconectar com a própria essência. Sob a luz dos 12 Mestres. Sob a regência de Madalena. Sob a benção da Espiritualidade Maior — princípio que reconhecemos como força criadora acima de qualquer nome de religião.
Aqui acontecem as formações iniciáticas — Reiki Cigano, Canalização Espiritual, Baralho Cigano em dois níveis. Aqui celebramos a Slava de Santa Sara Kali, a santa cigana que sempre acompanhou minha caminhada. E aqui caminham, juntos, os 12 Mestres Ciganos que orientam cada área da vida.
Hoje atendo do Rio Grande do Sul, 90% online — com podcasts, rituais, lives e a comunidade ativa. A Tsara de Madalena segue viva, pulsante, recebendo quem chega com a alma curiosa e o coração disposto.